Bridgerton e sua Agenda Inclusivista

A plataforma de streaming mais famosa do momento acabou de lançar uma série que promete conquistar os corações do público mais teen, substituindo a queridinha Riverdale, que está prestes a se aposentar na casa.

Fiquei curiosa sobre o enredo, aparentemente tão bem embalado em uma super produção de época e resolvi embarcar nesta experiência com ares virginais e tipicamente romântica. Logo que cheguei à sala de estar da série, percebi que boa parte dos protagonistas são pretos. Sim, digo pretos porque aprendi que o termo negro é ofensivo, assim como vários outros que usamos cotidianamente e nem nos damos conta…

Voltando ao tema dos protagonistas pretos, é importante destacar que o papel que ocupam é essencialmente crítico, colocando-os no tema central do enredo: o mocinho é preto, a antagonista principal é preta, a rainha é preta e a escritora que enlaça todos com seus comentários afiados e quem norteia a história desde o início é… preta! Ou seja, os elementos deste tabuleiro de xadrez foram expostos sem nenhum pudor, de uma forma bem clara e direta para levar ao seu público à nova estética da indústria cinematográfica, que amplia sua responsabilidade para além de suas produções estritamente figuradas nos atos do passado.

Se antes assistíamos ao “E o vento Levou…” com um certo pesar pelos feitos do passado, onde pretos eram açoitados e serviam de ponte para pessoas brancas saltarem, hoje temos novas referências do que deveria ter sido nosso passado natural. Sentimo-nos anestesiados com a promessa do novo sendo ilustrado em um passado não muito distante e, apesar de sabermos a enormidade de ficção que há em uma moça negra ser cortejada insistentemente por homens brancos endinheirados, enriquecemos nosso repertório de boas lembranças, para podermos imprimi-las em uma verdade, em um presente que se desenha otimista na nossa nova sociedade.

Netflix leva verdade ao seu público quando aposta em conteúdos educativos, fazendo com que seu papel na sociedade seja mais relevante que o de simples provedora de conteúdo audiovisual. Ela passa a franquiar produtos com a premissa de imputar nas sensações de seus assinantes uma vivência jamais existente, mas muito necessária para a construção de novas identidades, com os termos “igualdade, empatia e desejo”.

Ainda estou só no começo desta experiência, mas já me sinto como a Marina Thompson, me vejo apaixonada pelo Simon Basset, adotei a Lady Danbury como minha tia e sigo buscando o olhar de aceitação da rainha Charlotte. Sou eu, em milhões de versões pretas que agora transita curiosa seu olhar de admiração para as telas de uma tv que costumava ser muito branca e um tanto sem graça…

By Cris Coelho

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