O Seu Relacionamento é Abusivo?

E uma relação resume três seres essencialmente carentes: nós, eles e a relação em si. E acreditem, a relação acaba sendo mais carente que eu e você juntos. Ela se coloca muitas vezes no meio do trabalho, do sono e, acredite, até mesmo dos filhos.

Relações abusivas são pesadas, densas, cansativas. Doem em quem as vivenciam, em quem as provocam e em quem as sentem. Relações abusivas doem em todos, mesmo os que apenas as presenciam à distância.

Sem consolo ou indulgência, é preciso entender a linha tênue que existe entre uma ação de abuso e uma ação de doação. Porque toda relação é essencialmente complexa, afinal, relações são artefatos construídos para moldar os sentimentos de seres igualmente complexos, os seres humanos. E uma relação resume três seres essencialmente carentes: nós, eles e a relação em si. E acreditem, a relação acaba sendo mais carente que eu e você juntos. Ela se coloca muitas vezes no meio do trabalho, do sono e, acredite, até mesmo dos filhos.

A relação deixa de ser saudável quando se torna abusiva, mas qual é o limite entre as duas? Quando saber se o que estou entregando é mais do que você precisa, se você parece estar tão feliz com cada dose extra desse “mais exagerado”? Como entender se o seu pedido para ficar ao meu lado é abuso se tudo o que mais quero é estar ali, na enormidade da nossa cama quentinha e cheia de nós?

Traições acontecem o tempo todo com todos os casais felizes e devotos, e elas não estão necessariamente ligadas a relacionamentos abusivos. Agressões físicas são, muitas vezes, um meio para casais sadomasoquistas extravasarem suas taras e seus traumas, ou os dois; não são necessariamente uma agressão se é o que ambos desejam. Quem, da geração mais antiga, nunca ouviu aquele famoso funk “um tapinha não dói”??? Um tapinha, ou dois, ou três… é uma relação abusiva se você bate em meu corpo a meu pedido? Talvez, se for, o abuso seja meu, que preciso de um tratamento adequado para curar minhas dores desconexas e bem loucas….

Mas voltando ao relacionamento abusivo. Será que tudo se resume a ele ou será que virou mais um termo da moda, recém-descoberto e enfatizado pelo empoderamento das novas mulheres super poderosas?

E se o termo for por abuso psicológico? Não seriam as mulheres muito mais capazes de manipular seus objetos de desejo com maestria e pequenas doses de psicopatia natural? Porque, convenhamos, os homens ainda estão engatinhando na arte de conduzir uma discussão até o final (geralmente eles param antes…).

São muitas as vertentes e os fios que nos levam a esse grande emaranhado de emoções que costumamos chamar de “relacionamentos abusivos”, portanto, temos que ter cuidado ao classificar desentendimentos e diferentes expectativas de vida em um problema tão grave e tão sério quanto um relacionamento abusivo de verdade.

Cris Coelho

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