Meu Filho “Mimimi”

Tenho um filho bem diferente da maioria das crianças que estão em idade escolar aqui em São Paulo. Ele é um menino doce, emotivo, tranquilo e muito educado. Acho que é até educado demais para os padrões atuais, mas esse é o meu filho. Ele gosta muito de ler os gibis da Turma da Mônica e sempre que pode prefere ficar conversando com os amigos mais quietinhos, já que não é muito fã de esportes…

Ano passado descobri que meu filho estava sofrendo muito, muito mesmo. Ele perdeu o apetite e passou a chorar por qualquer coisa, em um estado nítido de fragilidade emocional. Algo estava acontecendo com ele e eu não conseguia pensar em algo que não fosse na escola pois, como ele não gosta de futebol, raramente descia para brincar nas dependências do prédio com os irmãos.  Fiquei atenta ao que poderia estar acontecendo com ele e procurei o apoio de uma psicóloga…

Semanas depois, o irmão gêmeo me contou que havia brigado com um menino para defender esse meu filho. Entendi na hora que se tratava de bullying! Perguntei o que estava acontecendo e, depois de pressionar um pouco, soube pelo meu filho que as implicâncias por parte deste menino eram constantes, a ponto do meu filho ter a lancheira e a mochila “roubadas” por alguns minutos em vários dias seguidos. Imediatamente liguei para a mãe deste menino e, constrangida, expliquei a situação e pedi que ela conversasse com seu filho, de modo a parar com essas atitudes. A mãe escutou meu pedido e, de forma bem fria, aceitou conversar com seu rebento.

Era véspera de um feriado longo e confesso que fiquei bem aliviada por não ter que fazer meu filho enfrentar os leões neste circo chamado colégio, logo no dia seguinte. Na volta do colégio, na segunda-feira, esperei as crianças chegarem e, já bem ansiosa, perguntei para meu filho como havia sido o dia, se o caso com o seu coleguinha tinha sido resolvido (nesta altura já com um nó no meu estômago). Sua resposta foi curta e embargada com um tom apertado de choro, no qual ele me olhou com seus olhos gigantes e negros e disse:

– “Mamãe, o XXX falou que não vai mais implicar comigo, mas também disse que não vai mais brincar comigo porque o pai dele pediu para ele não brincar mais e o pai também disse que não gosta de menino mimimi.”.

Ele terminou de falar, colocou mais um pedaçinho de carne na boca e mastigou aquele pedacinho por cerca de vinte minutos. Eu não tive reação, fiquei parada observando meu filho, um pequeno anjo que Deus colocou na Terra, um menino com a alma pura, sem nenhum preconceito e nenhuma maldade, ser vítima de um monstro, que é o pai desta criança, que para mim é tão vítima quanto meu filho.

As coisas no colégio só pioraram e, aos poucos, as tentativas da orientadora e da professora em disciplinar o menino não foram bem-sucedidas. Em pouco tempo, grande parte da turma havia rechaçado meu filho a ponto dele preferir passar o recreio das últimas três semanas de aula na biblioteca. Soube disto pelo irmão gêmeo, que, com pena, acabou optando por passar seu tempo livre de recreio ao lado do seu irmão.

Entendi que, por melhor que fossem as intenções do colégio em tentar consertar o que já havia sido estragado e passado desapercebido por eles, meu filho jamais seria feliz nesta instituição. O problema não estava realmente no colégio ou mesmo nos meninos que transformaram a vida do meu filho neste festival de horrores. O problema estava nos pais de alguns meninos, que se recusavam a ensinar os conceitos fundamentais da vida em uma sociedade; pais como o deste menino que chamou meu filho de “mimimi”, são os verdadeiros culpados pelos futuros maridos que batem em esposas, pelos torcedores de time de futebol que matam os rivais, pelos meninos ricos que bebem e atropelam vítimas inocentes em pegas de trânsito…

Esses pais, que pagam caro para ter o filho matriculado em um colégio bilíngue, se esquecem de ensinar o básico em português como: “me desculpe”.

Hoje meus filhos estudam em um colégio que tem como lema a “diversidade”. A ascensorista possui uma deformidade no corpo, alguns professores exibem tatuagens, piercing e cabelos rastafari e todos os alunos podem ir vestidos com as roupas que quiserem. Lá é ensinado o respeito à individualidade acima de qualquer outro preceito.

Se eu estou feliz? Não me pergunte o que eu sinto, pergunte ao meu filho como ele acorda todos os dias para ir à aula ou como anda seu apetite…

Cris Coelho

  • Este post foi escrito única e exclusivamente para alertar a todos os pais que é sempre importante observar e agir, antes que seja tarde demais.

  • Meus sentimentos a todas as mães que não tiveram tempo para implementar esta mudança na vida dos seus filhos;

  • Uma orientação errada pode destruir muitas vidas.

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